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Sokaku, descrito como o último dos
antigos guerreiros,
adorava os campos de batalha.
Nascido em Aizu, terra dos guerreiros mais ferozes do Japão,
Sokaku foi ensinado a lutar com as mãos, uma espada e a lança,
por seu severo pai, desde cedo.
Quando criança, Sokaku costumava se esconder nos arbustos
para assistir a carnificina que acontecia nas batalhas do clã Aizu
contra as forças imperiais.
Após a derrota do clã Aizu, Sokaku criou sua própria guerra contra
os melhores artistas marciais do Japão.
Foi ao Sul, até Okinawa, ao norte, até Hokkaido,
desafiando cada lutador que encontrava,
não raro com resultados fatais para seus adversários.
Sokaku, no entanto, pagava um preço por sua fama.
Era perseguido pelos amigos e parentes das pessoas que matava.
Sua vida estava em constante perigo.
Quando ele via outro ser humano, via uma ameaça.
Após suas armas terem sido tiradas pelas autoridades
(ele havia matado alguns operários numa confusão),
Sokaku se armou com um leque de aço,
e uma bengala com lâmina escondida.
Sempre que saía de casa, avisava sua esposa e
filhos que não o esperassem voltar.
Costumava nunca entrar numa casa sem antes chamar,
para ser acompanhado ao interior por uma pessoa que conhecia.
Não comia nem bebia nada sem outra pessoa antes provar,
havia sempre dúvida se estava envenenado ou não.
Dormia armado, e trocava sua cama de lugar
diversas vezes durante a noite,
para enganar um possível atacante.
Sendo famoso como artista marcial,
Sokaku era muito requisitado para ser
instrutor para a polícia e os militares.
A fronteira de Hokkaido estava cheia de marginais,
e Sokaku foi chamado pela polícia
para ajudar a manter a ordem.
Nesta época, ele ensinava o que havia denominado de
(Daito-Ryu Aikijujutsu).
Em março de 1915, após ter sido facilmente vencido por Sokaku,
Morihei inscreveu-se num curso de dez dias com Takeda.
Imediatamente, inscreveu-se para mais um curso de dez dias.
Acabou ficando os próximos quatro anos treinando com Takeda.
Entretando, a procura de Morihei era muito
mais espiritual do que marcial.
Apesar de ter aprendido muito com Sokaku,
ele ainda procurava por algo mais profundo do que técnica perfeita
e poder devastador.
Em dezembro de 1919, quando um telegrama chegou informando Morihei
da grave doença de seu pai,
ele entregou sua propriedade a Sokaku e deixou Hokkaido para sempre.


Em 1918, O-Sensei conheceu o reverendo Onisaburo
Degushi,
de quem recebeu uma forte influência religiosa que carregou durante
toda a vida e motivou os valores filosóficos e espirituais-religiosos
existentes no Aikido de hoje.
Em vez de ir diretamente para Tanabe, por alguma razão,
ele fez um desvio por Ayabe, sede da seita Omoto-Kyo.
Lá ele conheceu o grande xamã Onisaburo Deguchi,
que enfatizava a divindade própria de cada ser humano.
Onisaburo reconheceu a sinceridade e tremendo
potencial de Morihei imediatamente.
É na casa de Deguchi que O Sensei tem seu primeiro dojo.
O número de alunos aumenta e em 1931, Ueshiba funda, em Tóquio,
o Aikido Ueshiba Dojo Kobukan.
Logo depois é construído o dojo especial de Iwama (Ibaraki).
O-Sensei, então, ficou em Ayabe por muitos dias,
e quando finalmente chegou em Tanabe,
seu pai havia morrido (conforme havia profetizado Deguchi).
E, apesar da total oposição de sua mãe e esposa
(Morihei tinha dois filhos pequenos, e Hatsu, sua esposa,
estava esperando um terceiro),
ele mudou-se para Ayabe e se junto à seita Omoto-Kyo.
Em Ayabe, ele praticou técnicas de meditação da Omoto-Kyo,
aprendeu Kototama,
estudou poesia e caligrafia - um dos princípios da Omoto
é que arte é igual a religião.
O-Sensei era o responsável pelas plantações da seita.
Outro princípio era o consumo de alimentos
totalmente naturais e sem pesticidas.
Foi construído um pequeno Dojo para que Morihei ensinasse
artes marciais aos seguidores da seita,
que incluía na época muitos militares,
oficiais superiores - principalmente da marinha.
O primeiro ano foi duro para O-Sensei:
ele perdeu seus dois filhos pequenos por doenças.
Felizmente, em 1921, nascia Kishomaru Ueshiba,
o único filho sobrevivente de Morihei.
Sokaku Takeda apareceu na fazenda da
seita Omoto na primavera de 1922.
Se ele foi convidado ou veio por si mesmo não se sabe.
Deguchi não escondia o seu desgosto com o homem:
Esse homem vive de sangue e violência, ele dizia.
Todos ficaram aliviados quando Sokaku finalmente deixou a fazenda
seis meses depois.
Apesar de O-Sensei e Takeda terem se encontrado em muitas
ocasiões nos anos vindouros,
O-sensei foi gradualmente se distanciando do mestre do
Daito-Ryu e foi modificando substancialmente suas técnicas.
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No ano de 1924, Ueshiba viajou com
Deguchi à Mongolia,
à procura do lendário reino do paraíso na Terra - Shambhala.
Nos cinco meses que duraram a aventura,
Morihei esteve cara a cara com a morte,
lutou com bandidos, soldados renegados, e o exército chinês.
Os dois - O-Sensei e Deguchi, e
todo seu grupo, foi detido pelos militares chineses,
e escaparam por pouco da execução sumária.
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Soltos em custódia do cônsul japonês,
o grupo retornou a salvo para o Japão
em julho de 1924.
Ao voltar para Ayabe, Morihei retornou aos
treinamentos com uma intensidade que
surpreendeu seus amigos e discípulos. A energia vibrava nele;
portas e janelas batiam quando ele entrava num recinto.
Treinava nas matas quase todos os dias,
e O-Sensei desapareceu por um tempo nas montanhas de Kumano.
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Num dia de primavera de 1925, Morihei, então com
42 anos,
foi desafiado a lutar com um oficial da marinha.
O oficial, armado com um bokken (espada de madeira),
não conseguiu tocar Ueshiba.
Após este desistir, Morihei foi até o jardim molhar
seu rosto com água da fonte.
Posteriormente, Ueshiba explicou que conseguia prever a intenção do oficial,
bastando assim, mover-se com antecedência e desviar-se calmamente.
Para O-Sensei, esse incidente o fez atingir a iluminação.
Desde então, compreendeu que o budô não deveria
ter finalidade destrutiva, mas sim servir
como um caminho para manter a paz e compreender o universo.
Essa iluminação única revolucionou a vida de O-Sensei e
deu nascimento ao Aikido, composto de técnica, filosofia e religiosidade.
Repentinamente, se sentiu envolto por luz dourada:
Eu vi o divino, ele disse depois.
De uma vez eu entendi a natureza da criação:
o caminho do guerreiro (budo) é manifestar o amor divino,
um espírito que abraça e cuida de todas as coisas.
Após este episódio, Morihei desenvolveu poderes sobre-humanos,
quase milagrosos. Além de feitos inacreditáveis como derrubar
dez homens com um só grito e acertar no buraco a primeira vez
que foi num clube de golfe,
Morihei conseguia desviar-se de balas -
ele desafiou por duas vezes um esquadrão militar de tiro!!
Seus poderes tinham aplicações práticas,
além dele conseguir antecipar qualquer tipo de ataque.
Certa vez, ele parou a aula e disse a seus discípulos:
Há lá fora um cidadão de kimono preto.
Vá lá e traga-o aqui! .
Para surpresa de todos, o discípulo saiu,
e logo foi abordado por uma pessoa, perguntando
Por favor, onde fica o Dojo Ueshiba?
O-Sensei, após algum tempo, reassumiu sua posição
como instrutor chefe de academias militares em Tokyo e Osaka.
Ele era, naquele tempo,uma das pessoas mais influentes no Japão,
sendo, inclusive, o ministro do governo para o budo - artes marciais.
Então, veio a segunda grande guerra.
Morihei permaneceu no governo nos primeiros anos.
Após, ficando profundamente abalado com toda violência da guerra,
abandonou seu posto.
Ao fim da guerra, tendo o Japão perdido,
O-Sensei continuava otimista.
Mesmo com seus edifícios e cidades destruídos,
um país ainda tem suas águas e florestas
Aikido e todas outras artes marciais,
à exceção do Karate - foram banidas pelas autoridades .
Mesmo se as artes não tivessem sido banidas,
haveria mesmo muito poucos alunos.
Todos estavam muito preocupados tentando reconstruir seu país.
O-Sensei, entretanto, continuava ensinando escondido no interior,
em Iwama.
Naqueles dias, a agenda de treinamento era praticamente perfeita:
O treinamento de Aikido recomeçou normalmente em 1950,
e nas duas décadas que se seguiram a prática do Aikido
espalhou-se rapidamente, no Japão e no exterior.
Nos seus anos finais,
O-Sensei passava muito tempo estudando,orando e meditando.
Também viajou muito, pelo mundo todo, demonstrando Aikido pessoalmente.
Sua saúde começou a declinar; ele desenvolvera um câncer no fígado.
O-Sensei faleceu no dia 26 de abril de 1969, aos 86(oitenta e seis anos).
Após sua morte, seu filho Kisshomaru Ueshiba, o Doshu,
assumiu o comando do Aikido. Seu sucessor será Moriteru Ueshiba,
conhecido como Waka Sensei (jovem professor).
Moriteru é filho do Doshu Kisshomaru Ueshiba e neto de O-Sensei.
Algumas de suas últimas palavras foram:
Aikido é para o mundo todo
Apesar de ter se originado no Japão,
Aikido é agora parte integrante da cultura mundial,
praticado por pessoas de todas as raças em todo o mundo.
O-Sensei continua uma presença viva em todos os
Dojo,
e seu exemplo sempre inspira os novos praticantes.
O Aikido é, portanto, o caminho da vitória eterna
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* 1883. + 1969 |
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